
"Tudo pelo poder" é um filme sobre estratégia. Em seu quarto longa como diretor, George Clooney amarrou cada pedaço do enredo para prender a atenção do espectador durante todo o tempo.
A história aborda os bastidores de uma campanha política presidencial. Clooney interpreta o governador Mike Morris, candidato à nomeação democrata para a presidência. Ao lado dele temos Stephen Meyers (Ryan Gosling/ Amor a toda Prova), chefe de campanha do candidato, que tem que lidar com as estratégias para a nomeação de Morris. Stephen é um profissional que acredita no seu trabalho, na política e no seu candidato, tanto que o ponto máximo do filme é quando Meyers deixa de acreditar em todas essas coisas e usa as chaves do que
tem e descobriu para mudar a trama e pensar em si mesmo.
“Tudo pelo poder" não foge do que vemos em épocas de eleições. Há a jornalista política de um grande jornal, o cara que tem interesse em um cargo alto do Governo, discussões sobre aborto, pena de morte, religião, entre outras coisas. O filme e a trilha levam um tom de "Thriller e suspense", fazendo você ficar ligado na tela e identificar uma série de questões políticas das nossas eleições durante as cenas. Mas não se engane a obra é ficcional e qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência, certo? Talvez não.

O filme é baseado na peça teatral Farragut North (2008) de Beau Willimon, que foi inspirada na experiência que Willimon teve como colaborador da campanha presidencial de 2004 de Howard Dean, candidato favorito do partido democrata e contra o governo Bush e a guerra no Iraque. O político foi governador de Vermont por seis mandatos e perdeu a nomeação democrata para o senador John Kerry de Massachussets. Após isso, ele foi eleito presidente do Comitê Nacional Democrata e criou a "Estratégia de Estado 50", no qual os democratas competiam em estados conservadores. Em 2006, os democratas conseguiram lugares no Senado de estados republicanos e a estratégia foi usada por Barack Obama, em sua campanha pela presidência dos Estados Unidos.
E apesar do filme não ser sobre Obama, os diálogos de Mike se assemelham bastante aos discursos do atual presidente durante a campanha "Yes, we can", fora que o cartaz de Mike é muito semelhante ao de Obama. E unindo política e estratégia durante 101 minutos, eu fiquei me perguntando se por algum acaso a decepção de Stephen Meyers, ou até mesmo o próprio personagem, representa o desapontamento dos norte-americanos com o governo Obama. Fica claro na última cena que Stephen não só se decepcionou com o candidato que estava defendendo, mas com a política em si.
Vi esse filme domingo. Seria ótimo pra discutir naquelas aulas de ética que tínhamos..
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