sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave)


Algo que a gente pensa quando vê “12 anos de Escravidão” é porque há tantas produções atuais sobre o assunto. Vale lembrar que “Lincoln”, segundo filme de Steven Spielberg sobre o tema, também esteve em um dos favoritos do Oscar no ano passado, e tratava da luta de Abraham Lincoln pelo fim da escravidão nos EUA. Polêmicas a parte, o terceiro e já considerado melhor filme do diretor Stephen McQueen vem pra mostrar mais uma fase da história que não pode ser deixada de lado.

Baseado em fatos reais, o drama conta a história de Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), violinista, livre e letrado que foi sequestrado e vendido como escravo em 1841, e passou por doze anos de escravidão, humilhações e sofrimentos por parte dos senhores de engenho. Algo que muitos escravos também viveram e que McQueen fez questão de deixar claro e real em diversas cenas do filme.

Patsey (Lupita Nyong'o) , Epps (Michael Fassbender) e Solomun (Chiwetel Ejiofor)
Durante esse tempo, Solomon é obrigado a deixar seu orgulho e conhecimento de lado para se adaptar ao lema dado por um dos piores senhores de engenho que teve, o Edwin Epps (Michael Fassbender) que não cansava de repetir que os escravos eram a sua propriedade e que ele poderia fazer o que quisesse com a sua propriedade. Só isso já aponta a sensibilidade que Chiwetel Ejiofor teve para interpretar todas as situações que Solomun passou, assim como a atriz Lupita Nyong’o, que viveu Patsey, uma das escravas que mais sofrem no filme.

Diante disso, fica por parte do público captar a sensibilidade de que o filme não trata apenas da história de Solomon Northup, mas de uma época em que muitos passaram pela mesma injustiça e sofrimento. E por que ainda há produções relacionadas ao tema? Talvez para que a gente não esqueça do significado de igualdade, algo que ainda não foi totalmente captado em pleno século 21.

Letícia Cardoso

Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)

Os 30 dias mais longos de Dallas
Receber um papel, decorar falas, fazer algumas cenas e pronto. Só que isso não seria a definição de ator nem mesmo de Joey Tribbiani. Muito menos de Matthew McConaughey, que precisou emagrecer mais de 20 quilos para o papel de Ron Woodroof, em Clube de Compras Dallas, filme baseado em uma história real.

Portador do vírus HIV, o cowboy eletricista, um tanto desacreditado no começo, passa a correr atrás de todos os meios (pesquisas, reportagens, estudos) para tentar se tratar da doença que o deixa mais frágil a cada um dos trinta dias que os médicos lhe deram de vida.

Para piorar o diagnóstico, amigos e colegas de trabalho passam a evitar Ron, já que naquela época, nos anos 80, a maioria dos portadores de HIV era homossexuais e, assim como seu circulo de amizade, o protagonista também era preconceituoso.

Acreditando que seu estado de saúde melhorará, Ron Woodroof (Matthew McConaughey) tenta fazer com que a médica Eve Saks (Jennifer Garner) lhe forneça o AZT, remédio que ainda está em fase de testes pela FDA (órgão americano que controla a distribuição de alimentos e medicamentos). Só que, diferentemente do transexual Rayon (Jared Leto), ele não se encaixa no grupo que está recebendo a droga.

Jared Leto como "Rayon" e Jennifer Garner como "Eve Saks"
Vendo os dias se acabando, o cowboy resolve ir atrás de outros métodos para conseguir remédios ainda não liberados pela FDA. Na empreitada, vale cruzar fronteiras, se vestir de padre e roubar receitas médicas. Com o resultado do contrabando, monta o Clube de Compras, em parceira com Rayon, e passa a vender medicamentos a outros pacientes. O momento delicado na vida de Ron passa a ser também um período lucrativo.

Apesar das brigas com o departamento do governo, indústrias farmacêuticas e com os próprios médicos, o protagonista consegue, por um bom tempo, manter seu negócio e desacreditar nos prognósticos médicos. Ele ainda tinha alguns desejos que precisava tirar do papel.

O longa já faturou duas estatuetas do Globo de Ouro. McConaughey foi escolhido como melhor ator dramático e Jared Leto levou o prêmio por ator coadjuvante. A dupla ainda concorre ao Oscar, junto a indicação de melhor filme e outras três categorias. A premiação máxima do cinema americano será transmitida dia 2 de março.

Caroline Garcia

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tudo pelo poder (The Ides of March)

"Tudo pelo poder" é um filme sobre estratégia. Em seu quarto longa como diretor, George Clooney amarrou cada pedaço do enredo para prender a atenção do espectador durante todo o tempo.

A história aborda os bastidores de uma campanha política presidencial. Clooney interpreta o governador Mike Morris, candidato à nomeação democrata para a presidência. Ao lado dele temos Stephen Meyers (Ryan Gosling/ Amor a toda Prova), chefe de campanha do candidato, que tem que lidar com as estratégias para a nomeação de Morris. Stephen é um profissional que acredita no seu trabalho, na política e no seu candidato, tanto que o ponto máximo do filme é quando Meyers deixa de acreditar em todas essas coisas e usa as chaves do que tem e descobriu para mudar a trama e pensar em si mesmo.


“Tudo pelo poder" não foge do que vemos em épocas de eleições. Há a jornalista política de um grande jornal, o cara que tem interesse em um cargo alto do Governo, discussões sobre aborto, pena de morte, religião, entre outras coisas. O filme e a trilha levam um tom de "Thriller e suspense", fazendo você ficar ligado na tela e identificar uma série de questões políticas das nossas eleições durante as cenas. Mas não se engane a obra é ficcional e qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência, certo? Talvez não.

O filme é baseado na peça teatral Farragut North (2008) de Beau Willimon, que foi inspirada na experiência que Willimon teve como colaborador da campanha presidencial de 2004 de Howard Dean, candidato favorito do partido democrata e contra o governo Bush e a guerra no Iraque. O político foi governador de Vermont por seis mandatos e perdeu a nomeação democrata para o senador John Kerry de Massachussets. Após isso, ele foi eleito presidente do Comitê Nacional Democrata e criou a "Estratégia de Estado 50", no qual os democratas competiam em estados conservadores. Em 2006, os democratas conseguiram lugares no Senado de estados republicanos e a estratégia foi usada por Barack Obama, em sua campanha pela presidência dos Estados Unidos.

E apesar do filme não ser sobre Obama, os diálogos de Mike se assemelham bastante aos discursos do atual presidente durante a campanha "Yes, we can", fora que o cartaz de Mike é muito semelhante ao de Obama. E unindo política e estratégia durante 101 minutos, eu fiquei me perguntando se por algum acaso a decepção de Stephen Meyers, ou até mesmo o próprio personagem, representa o desapontamento dos norte-americanos com o governo Obama. Fica claro na última cena que Stephen não só se decepcionou com o candidato que estava defendendo, mas com a política em si.


Letícia Cardoso

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

50/50


Protagonizado por Joseph Gordon-Levitt (500 dias com ela), 50/50 é uma história sobre a superação do câncer e todos os questionamentos que a doença traz. O filme se aproxima bastante dos produtores, já que é baseado na experiência contra o câncer de Will Reiser, roteirista do filme e do produtor Seth Rogen, amigo de Reiser na vida real e amigo do personagem de Gordon-Levitt.

Na história, Adam (Joseph Gordon-Levitt) tem 27 anos e descobre que tem um tipo raro de câncer na espinha com 50% de taxa de cura. A partir disso, ele passa pelo processo de quimioterapia com a companhia do melhor amigo, Kyle (Seth Rogen) e da terapeuta Katherine (Anna Kendrik) que com pouca experiência na profissão e algumas dificuldades o faz entender não só os aspectos de ser uma pessoa com câncer, mas as coisas da própria vida e da relação com a mãe. No começo ele duvida de Katherine como profissional e depois ela passa a ser a única pessoa que ele tem para desabafar, tornando as cenas dos dois bastante encantadoras.

Em alguns momentos do filme dá até para achar as atitudes de Kyle infantis. Elas são meio absurdas, mesmo ele trazendo bastante situações cômicas para a história e amenizando o processo daquilo tudo para Adam. Sem querer, Kyle faz o que Adam queria no começo de tudo: anestesia e acalma a situação, como se o câncer nem estivesse ali, até o momento em que ele percebe que pode morrer e as atitudes do amigo realmente deixam de fazer qualquer sentido. Mas, no final das contas dá para perceber o quanto Kyle se importa com Adam.
Gordon-Levitt deixou o personagem leve e ao mesmo tempo profundo, com o seu jeito de seguir em frente com as coisas que não consegue entender, com o tratamento contra o câncer e aceitando biscoitos de maconha no hospital durante a primeira sessão.

No começo, você pode até achar que é mais um filme sobre superação. Mas, depois você entende que ás vezes as coisas aparecem sem termos planejamento nenhum para lidar com elas. E aí, você tem que ir vivendo do melhor jeito possível até elas se resolverem, mesmo pisando no escuro sem entender o por quê e sem saber o que vai acontecer.

Com direção de Jonathan Levine, o filme recebeu duas indicações ao Globo de Ouro 2012 na categoria de Melhor filme e Melhor Ator para Gordon-Levitt. A trilha sonora passa por "High and Dry" do Radiohead, Bee Gees e termina com "Yellow Ledbetter" do Pearl Jam durante um final bonito entre Adam, Kyle e Katherine. Ator que sabe atuar no silêncio é o que há.


Letícia Cardoso

Prazer, moleskine!

O gosto pelo cinema, a paixão pela escrita e a dúvida na carreira me levaram a escolhar coisas que gosto de fazer. Prazer moleskine, minhas impressões sobre cinema, arte e cultura serão todas escritas em você.